Ibovespa sobe 0,54% e recupera os 186 mil pontos, apesar da disparada do petróleo
O índice chegou a subir 1,16%, aos 187.651 pontos, durante o pregão, mas perdeu parte dos ganhos ao longo do dia. A mínima foi de -0,24%, aos 185.056 pontos.
O movimento ocorreu em meio à combinação de fatores domésticos, incluindo as expectativas para a decisão do Copom, e um cenário externo pressionado pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelos riscos de interrupção da oferta global de petróleo.
Olhar Diário Fiscal
- Fator dominante: a forte alta do petróleo, impulsionada por novas interrupções na oferta e pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.
- Fator secundário: a expectativa em torno da decisão do Copom e o comportamento dos ativos brasileiros diante do ambiente internacional de maior aversão ao risco.
- Impacto observado: o Ibovespa conseguiu avançar, mas terminou distante das máximas do dia, enquanto o dólar registrou leve alta e o petróleo voltou a superar importantes marcas de preço.
Petróleo: WTI supera US$ 105
O petróleo voltou a acelerar nesta terça-feira e ampliou a pressão sobre os
mercados globais.
O Brent, referência internacional, fechou em alta de 2,90%, cotado a US$ 108,75
por barril em Londres.
O WTI, referência nos Estados Unidos, teve valorização ainda mais forte, de
4,38%, encerrando a sessão a US$ 105,83 por barril.
A diferença entre os movimentos dos dois contratos refletiu, entre outros
fatores, a busca por fontes alternativas de petróleo diante das dificuldades de
abastecimento no Oriente Médio.
Oferta global sob pressão
A Arábia Saudita continua no centro das preocupações. Após ataques recentes
atribuídos aos houthis, o país interrompeu preventivamente o fluxo do importante
oleoduto Leste-Oeste.
Nesta terça-feira, informações sobre a suspensão de carregamentos no porto de
Yanbu, no Mar Vermelho, aumentaram a preocupação dos investidores.
A Saudi Aramco também teria informado clientes europeus sobre o cancelamento de
parte das entregas previstas para o final de setembro. O movimento aumenta a
procura por outras fontes de petróleo, contribuindo para a valorização do WTI.
Ao mesmo tempo, a produção da Líbia sofreu novo impacto, com a paralisação de
três campos petrolíferos em razão de protestos e bloqueios em dutos de
exportação.
Geopolítica aumenta o prêmio de risco
No campo diplomático e militar, o mercado também acompanhou a recusa do Irã em
avançar nas discussões de paz mediadas com países do Golfo.
A tensão aumentou ainda mais após a Guarda Revolucionária iraniana afirmar ter
derrubado um drone militar dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz.
A região é fundamental para o comércio mundial de petróleo e, diante dos riscos
de conflito, o tráfego de superpetroleiros já sofreu forte redução.
Dólar
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,14%, cotado a R$ 5,1541 na
compra e R$ 5,1551 na venda.
No mercado paralelo, a moeda avançou 0,28%, para R$ 5,27 na compra e R$ 5,37 na
venda.
A valorização moderada do dólar ocorreu em um ambiente internacional de maior
busca por proteção, especialmente diante da preocupação com a inflação provocada
pela energia.
Bolsa brasileira
O Ibovespa Futuro fechou em alta de 0,59%, aos 188.440 pontos, depois de oscilar
entre 189.560 e 186.820 pontos.
No mercado à vista, o volume financeiro foi de aproximadamente R$ 0,66 bilhão.
Com o resultado desta terça-feira, o Ibovespa acumula alta de 15,75% em 2026 e
5,12% em setembro.
O desempenho brasileiro ocorreu em uma sessão de maior aversão ao risco em Wall
Street, onde o petróleo elevado voltou a alimentar preocupações com inflação e
juros.
Inflação e juros voltam ao centro das atenções
A disparada do petróleo, acompanhada pela alta do diesel nos Estados Unidos,
reforçou os receios de que a inflação global permaneça pressionada.
Nos Estados Unidos, os títulos do Tesouro americano avançaram para níveis
próximos das máximas observadas em quase duas décadas, refletindo a cautela dos
investidores às vésperas da decisão do Federal Reserve.
No Brasil, o mercado também aguarda a decisão do Copom, prevista para esta
quarta-feira (16). O comportamento do petróleo acrescenta uma variável
importante ao cenário de inflação e política monetária.
Número do Dia
US$ 105,83 — preço do barril do WTI no fechamento desta terça-feira, após uma
alta de 4,38%.
Olhar do Fechamento
A Bolsa brasileira conseguiu fechar no campo positivo mesmo diante de um cenário
internacional bastante pressionado pelo petróleo. O resultado mostra, mais uma
vez, que a relação entre a commodity e o Ibovespa não é linear.
Enquanto a alta do petróleo pode beneficiar empresas produtoras, especialmente
as ligadas à exploração, o mesmo movimento aumenta os riscos de inflação e juros
elevados — fatores que pesam sobre boa parte dos demais setores da economia.
Com o WTI acima dos US$ 105, o Brent próximo dos US$ 109 e uma decisão de juros
no Brasil no horizonte imediato, o mercado terá de descobrir nesta quarta-feira
se a expectativa de uma política monetária mais favorável será suficiente para
neutralizar o novo choque provocado pelo petróleo.