Ibovespa cai pela quinta vez seguida, perde 18,12% na semana e dólar sobe a R$ 5,44
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta sexta-feira (30) com mais um dia de perdas. O Ibovespa recuou 0,75%, aos 167.921,80 pontos, registrando a quinta queda consecutiva desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o resultado, a Bolsa acumulou desvalorização de 18,12% na semana, a maior retração semanal desde março de 2020, período inicial da pandemia de Covid-19.
Durante o pregão, o índice oscilou entre a máxima de 169.184,60 pontos e a mínima de 167.007,57 pontos. O volume financeiro negociado alcançou R$ 41,8 bilhões, segundo dados divulgados pela B3.
No acumulado de outubro, o Ibovespa perdeu 9,88%, registrando seu pior desempenho mensal desde junho de 2022. Apesar da sequência negativa, o índice ainda mantém valorização de aproximadamente 4,22% em 2026.
A pressão sobre os ativos brasileiros continua associada à reavaliação das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral. As dúvidas sobre a composição da equipe econômica, a condução da política fiscal e o controle das despesas públicas aumentam a percepção de risco e levam à redução de posições em ações e outros ativos domésticos.
Dólar sobe e registra forte valorização na semana
No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou 1,05%, encerrando a sessão cotado a R$ 5,4443 para venda. A moeda norte-americana acumulou alta de aproximadamente 9,04% na semana e de 5,22% em outubro.
A valorização reflete a procura por proteção diante das incertezas políticas e fiscais brasileiras, além da reprecificação dos ativos após a eleição. A alta semanal foi a mais expressiva desde outubro de 2008, durante a crise financeira internacional.
O movimento também aumenta as preocupações com os efeitos cambiais sobre a inflação e com possíveis impactos nas expectativas para a política monetária. Nesse contexto, cresce a avaliação de que o Banco Central poderá manter a taxa Selic em patamar elevado por mais tempo.
Bolsas internacionais recuam com pressão sobre empresas de tecnologia
Em Nova York, o desempenho negativo das empresas de tecnologia contribuiu para ampliar a cautela nos mercados. Os resultados e as projeções de grandes companhias, especialmente Amazon e Intel, não agradaram aos investidores e pressionaram os principais índices.
O Dow Jones recuou 1,05%, o S&P 500 caiu 1,75% e o Nasdaq registrou baixa de 2,86%. As perdas refletiram também as preocupações com o nível dos juros internacionais e a avaliação dos elevados investimentos em inteligência artificial.
Petróleo fecha em forte alta e encerra outubro com quarto ganho mensal consecutivo
Os preços internacionais do petróleo avançaram mais de 2% nesta sexta-feira, alcançando os maiores níveis desde o fim de abril. A valorização foi impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelos riscos de interrupção do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O contrato de Brent para dezembro, que venceu nesta sexta-feira, subiu 2,40%, encerrando a US$ 117,64 por barril. Já o contrato de janeiro, que passou a concentrar maior liquidez, avançou US$ 2,63, ou 2,37%, para US$ 113,43. O petróleo WTI, referência norte-americana, com vencimento em dezembro, subiu 2,08%, a US$ 104,12 por barril.
Com o resultado, o petróleo registrou o quarto mês consecutivo de valorização. Segundo a Reuters, o Brent acumulou alta de 13,6% em outubro, enquanto o WTI avançou 15,2%.
Entre os fatores que sustentaram as cotações estão o ataque a um navio-tanque no Estreito de Ormuz, atribuído a explosivos fixados no casco da embarcação, e as ameaças dos rebeldes houthis contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita. A possibilidade de uma escalada militar após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro, também contribuiu para elevar o prêmio de risco.
Apesar das iniciativas diplomáticas conduzidas por mediadores do Catar para reabrir as negociações entre Washington e Teerã, não houve sinalização de acordo. A continuidade dos incidentes na região mantém os investidores atentos à segurança das rotas marítimas e à disponibilidade global de petróleo.
Contexto
O encerramento de outubro consolida um período de forte deterioração dos ativos brasileiros. A reação à reeleição presidencial, somada às incertezas sobre a política fiscal e a futura equipe econômica, provocou uma reprecificação expressiva do risco doméstico. No exterior, a pressão sobre as empresas de tecnologia e a escalada das tensões no Oriente Médio contribuíram para um ambiente global de maior cautela.
Olhar Diário Fiscal
- Fator dominante: incertezas políticas e fiscais no Brasil, que prolongaram a saída de investidores de ativos domésticos e pressionaram a Bolsa e o real.
- Fator secundário: perdas nas bolsas norte-americanas, especialmente no setor de tecnologia, e aumento dos riscos geopolíticos no Oriente Médio.
- Impacto observado: quinta queda consecutiva do Ibovespa, perda semanal de 18,12%, desvalorização mensal de 9,88% e dólar em alta de 1,05% no dia. Na contramão, o petróleo avançou mais de 2%, encerrando outubro com o quarto ganho mensal consecutivo.